sábado, 29 de junho de 2013

sobre a lavoura e fé

uma amiga me pergunta porque estou no seminário, porque eu creio? 
o silencio se impõe. antes de uma resposta, medito, regresso aos primeiros anos da minha infância. 
na pequena capela dedicada a nossa senhora as orações pereciam perfumes envolvendo o corpo de Deus. 
todos os domingos a mãe levava eu e minhas irmãs a igreja.
quando adolescente o habito de ir a igreja se perdeu, deixei Deus órfão de mim. 
foi entre as brumas da convulsão que o rosto de Deus começou a se acender outra vez para os meus olhos. lembro-me das primeiras leituras do cânticos dos cânticos, depois o Eclesiastes, o livro de jó, evangelho segundo joão. 
lembro das celebrações eucarísticas criando poentes.  
havia algo que escapava as minhas mãos, até hoje tento apanhá-lo, mas ele insiste em fugir dançando. 
papai me ensinou a arte da fé, não foi dentro da igreja, foi na lavoura. 
semear os grãos, carpir o mato, esperar crescer, depois colher as espigas e por ultimo, em um banquete partilhar com os outros o resultado do plantio. 
a fé também é um plantio cotidiano, uma lavoura, um partilhar os grãos vingados.
talvez um dia estaremos todos a mesma mesa, partilhando a colheita feita aqui, ondo todos os dias somos plantados.