uma amiga me pergunta porque estou no seminário, porque eu creio?
o silencio se impõe. antes de uma resposta, medito, regresso aos primeiros anos da minha infância.
na pequena capela dedicada a nossa senhora as orações pereciam perfumes envolvendo o corpo de Deus.
todos os domingos a mãe levava eu e minhas irmãs a igreja.
quando adolescente o habito de ir a igreja se perdeu, deixei Deus órfão de mim.
foi entre as brumas da convulsão que o rosto de Deus começou a se acender outra vez para os meus olhos. lembro-me das primeiras leituras do cânticos dos cânticos, depois o Eclesiastes, o livro de jó, evangelho segundo joão.
lembro das celebrações eucarísticas criando poentes.
havia algo que escapava as minhas mãos, até hoje tento apanhá-lo, mas ele insiste em fugir dançando.
papai me ensinou a arte da fé, não foi dentro da igreja, foi na lavoura.
semear os grãos, carpir o mato, esperar crescer, depois colher as espigas e por ultimo, em um banquete partilhar com os outros o resultado do plantio.
a fé também é um plantio cotidiano, uma lavoura, um partilhar os grãos vingados.
talvez um dia estaremos todos a mesma mesa, partilhando a colheita feita aqui, ondo todos os dias somos plantados.
Nenhum comentário:
Postar um comentário